A Meditação está a abrir-se para a Vida

Recentemente liderei um dos mais poderosos retiros de fim-de-semana aqui no Projecto Vida Desperta. Era um grupo muito sincero de participantes em que para muitos a meditação era uma completa novidade. Fiquei surpreendido, como muitas vezes fico, com as pessoas que são principiantes e a quem o retiro causa mais impacto do que a quem já pratica algum tipo de meditação há algum tempo. Eles estão completamente abertos e não tem ideias nem expectativas baseadas em experiências passadas portanto estão aptos a deixar-se ir de uma maneira que meditadores com experiência acham ameaçador.  Porquê?  Porque não têm nada a perder! Há inocência.  Não existe uma auto-imagem espiritual ou ligação a "experiências espirituais" passadas.

Neste retiro falei muito sobre materialismo espiritual e sobre como experiências espirituais podem libertar ou encurralar-nos dependendo da nossa motivação interior. Se queremos viver uma autêntica Vida Desperta temos de estar dispostos a morrer agora para o passado para que possamos ser transformados pela verdade. A simplicidade radical da Meditação Vida Desperta, que em essência é sobre estar presente no que quer que esteja a acontecer agora livre de preferências, resistência e manipulação, liberta-nos do sonho problemático mortal de separação e do sofrimento psicológico por nós criado.

Se somos sinceros na nossa aspiração de morrer para tudo o que é falso então fazer um retiro é como fazer uma operação a que nos submetemos para tirar células da morte do nosso ser através da luz da consciência.  Esta operação só pode ter sucesso se estivermos dispostos a largar tudo e a estar abertos para a Vida. Se a nossa motivação é ganhar alguma "experiência espiriual" ou experenciar alívio de sofrimento sem verdadeira renúncia das causas desse sofrimento, então vamos manter-nos um seguidor ou um crente e nunca o mestre de nós próprios, da nossa vida.

Se a força dos nossos medos e desejos pessoais é mais forte que a da nossa aspiração por liberdade, inevitavelmente afundamo-nos desde as nossas percepções mais esclarecedoras para uma vida que é feliz hoje mas infeliz amanhã; e isso é viver a morte. Se fazemos isto depois de ter provado a liberdade espiritual profunda então estamos num pior estado que antes por estamos em negação da necessidade de transformação. Só quando nos viramos de uma vez por todas e enfrentamos a exigência do nosso Verdadeiro Ser é que o processo orgânico de Dispertar se procederá fundamentalmente sem interrupções.

Isto exige um estado energético de rendição à vida agora, sem guardar nada para nós próprios. Exige verdadeira coragem. É a oferta de tudo o que é falso no individuo, a qualquer momento, sabendo que só o que é falso pode morrer. Tudo o que é verdadeiro, simples, lindo e fundamentalmente bom e puro mantém-se.

Houve perguntas muto boas durante este retiro. Alguns assuntos sobre os quais falei foram: A maior armadilha na prática da meditação, a libertação da tensão existencial, os perigos do materialismo espiritual e como viver a verdade da não-dualidade no mundo da dualidade.

Oiçam aqui o audio com uma excelente tradução em português por Ricardo Gonçalves.

Para próximos retiros com Peter carrega aqui.

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