Bando de Irmãos

No fim-de-semana passado experienciei o mais profundo e jubiloso encontro do Grupo de Homens do Awakened Life Project até agora. Neste encontro tínhamos um espectro de homens desde aqueles que se iniciaram no nosso processo transformacional há já 3 ou 4 anos, até um homem que se juntava ao grupo pela primeira vez.

Eu defini o contexto para o nosso encontro ao falar sobre o potencial do grupo alcançar aquilo que chamo de “velocidade de escape”. Com isto eu referia-me à força concentrada que permite que um foguetão se liberte da força gravitacional que o puxa para a Terra, para nunca mais voltar. Na minha metáfora o foguetão simbolizava a nossa intenção conjunta de evoluir para além das estruturas limitantes e de separação da consciência, para que possamos explorar e enraizarmo-nos em novos mundos de libertadoras possibilidades. A gravidade simbolizava as forças individuais e colectivas de resistência à mudança que nos puxam para trás, para a esfera dos padrões conhecidos, habituais e familiares de ser e de nos relacionarmos.   

A razão pela qual usei esta metáfora foi porque senti, neste ponto da evolução, o potencial do grupo para rasgar o tecto das nossas resistências individuais e colectivas, para uma transformação radical de tal maneira que não haveria maneira de voltar atrás. Embora tenhamos alcançado alguns picos extraordinários de realização e discernimento, e todos os homens tenham mudado claramente como resultado disso, era claro para todos nós que quando não estamos juntos, e vamos para o nosso do dia-a-dia, que há uma tendência para voltar aos típicos padrões masculinos de egoísmo e de falsa independência. Estas configurações padrão de condicionamento masculino levam-nos a perder o contacto com o sentido mais importante de responsabilidade e cuidado para com o nosso processo transformacional individual e colectivo.

A resposta de todos os homens a este desafio de alcançar a “velocidade de escape” foi profundamente inspiradora. Alguns homens partilharam desafios enormes que estão a enfrentar com uma vulnerabilidade e dignidade nuas, abrindo os seus corações à ajuda dos seus irmãos para se alinharem com a verdade em situações muito complexas. Outros homens responderam com humildade a um grande impulso para demonstrar mais cuidado pelo grupo e a um compromisso mais profundo com a prática de meditação. Alguns estavam dispostos a correr riscos e a questionar o que estava a ser dito, o que abriu reinos mais profundos de compreensão para todos. Mas transcender e incluir todos os diferentes temas e assuntos que foram abordados foi uma plenitude de participação que tomou a forma de uma escuta profunda, de cuidado verdadeiro e de uma vontade de correr riscos. Este compromisso mais profundo e o amor evolucionário libertou uma intimidade extática, o que significada que estávamos todos unidos e, ao mesmo tempo, cheios de uma alegria inspiradora de saber que nos movíamos como um só corpo.

Uma exploração que iluminou o que realmente é preciso para catalisar a “velocidade de escape” teve a ver com a nossa relação com a forma como nos sentimos num dado momento. Se apenas estamos dispostos a “fazer a coisa certa” quando nos apetece, então nós nunca nos vamos transformar profundamente, porque as respostas emocionais/sentimentais aos eventos são normalmente baseadas no passado. Um homem disse que sentia que não estava a ser autêntico se a sua experiência emocional não estivesse alinhada com uma acção. Outro respondeu com uma citação de um yogi Indiano que disse, “tens de fingir até conseguires”. Eu disse que nós temos de estar dispostos a fazer uma mudança na nossa perspectiva de ver quem somos de “dentro para fora” – ou seja que o nosso sentido primordial de onde estamos é baseado na forma como nos sentimos subjectivamente – para ver quem somos de “fora para dentro”, ou seja que o nosso sentido primordial de onde estamos é baseado naquilo que dizemos e expressamos objectivamente. No primeiro o sentido de nós próprios está contraído na nossa experiência emocional, enquanto no segundo nós estamos enraizados em e como o próprio Espirito, que transcende a mudança de conteúdo da experiência e assim nos alinha com a Vontade Superior de "fazer a coisa certa", independentemente da nossa experiência subjectiva.

Se nós estivermos dispostos a fazer o esforço nobre de fazer isto, então ao longo do tempo a nossa experiência emocional/sentimental irá alinhar-se mais com os nossos impulsos espirituais mais profundos, mas, no entretanto, nós não estamos à espera que seja esse o caso para estarmos plenamente aqui e agora para o amor e para a verdade. Como estávamos todos a fazer a escolha de estarmos/sermos desta maneira formou-se um campo unificado de profunda união. Cada homem estava claramente comprometido com a nossa aventura evolucionária partilhada de verdade.

Quando um grupo de homens se junta desta forma há uma qualidade especial de transcendência, embora profundamente enraizado, de suavidade e de força que brilha através de cada homem e que é muito raro e profundamente comovente. Eu acredito que esta qualidade é a base para uma reconfiguração radical do que significa ser um homem evolucionário despertado em nosso tempo.

 

 

 

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